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O mundo está mudando. Você consegue acompanhar?

Após a terrível recepção a Judith Butler em São Paulo, o silêncio que se seguiu foi tão pesado que chamou minha atenção. Eis o simples motivo  pelo qual o post dessa semana acabou atrasando: silêncio por parte "deles". 

Não acredito que o fato de Caetano e Karnal terem escancarado (veja video aqui) as prováveis razões de tudo isso tenha sido suficiente para calá-los. Nem as declarações pra lá de sensatas (veja links no final) de Butler seriam suficientes para conseguir isso. Há algo no ar.

Durante as semanas que antecederam e na que sucedeu a vinda de Butler ao Brasil, rastreei como funcionava "a tática de desacreditação", já reconhecida. Cria-se uma mensagem falsa, mas crível, deixa-se as redes sociais, com seus sistemas de compartilhamento e os bots, se encarregarem do resto. Assim, concretiza-se um dos mais famosos pensamentos nazistas, cunhado por Goebels, "Uma Mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade." . 

Parece-me que, em essência, é contra isso…

No Brasil, uns são mais iguais do que os outros... e você?

Num país em que as maiores manifestações culturais derivam de expressões religiosas (Natal, Carnaval, Festas juninas, Páscoa...), sediar a maior Parada do Orgulho LGBT do mundo tem um significado um pouco diferente do restante do mundo. 
A Parada do Orgulho LGBT, no Brasil, se presta a denunciar um país hipócrita, violento, bairrista, classista, no qual tudo podemos, desde que seja parecido com o carnaval. Sem pecados abaixo do equador. E quando há lei, seus agentes, que devem estar a serviço daqueles que, pela condição, pelo número, pela falta de instrumentos, fazem vista grossa ou tingem ideologicamente suas ações, esvaziando o resultado. Também serve para refletirmos o que queremos para nós, o que fazer de nosso destino, como país, como sociedade, como tolerância, como gente. Este é o sentido da palavra Diversidade. Esta é a intenção da palavra Orgulho. 

A parada serve para reunir a todos aqueles que se sentem excluídos, de várias formas e não têm espaço para sua expressão e lembrar …

Intransitividades: ensaios poéticos

Veia poética

A veia poética,adormecida até ontem,retoma seu curso,pedindo espaço,criando novas imagens,novas fronteiras.
O que antes foi um discurso circular,que acabava em si,hoje circunda minha emoção e me traz um frescor que, ainda, nem entendo.Poesia em forma de prosa,enquanto penso outros assuntos,enquanto segredo a vocês como me sinto em meus momentos.




Lágrimas de dor

Choro lágrimas de dor, não por deixar de ser quem jamais fui,  mas por ter ocultado de mim, 
do mundo,aquilo que realmente 
me faz ser eu. Ser, estar, permanecer, ficar...
Intransitividades da vida 
enquanto transito entre meus eus"
Descubro em mim, vivendo um cotidiano 
impensável até pouco tempo, uma força indescritivelmente nova, avassaladora, 
que me permite voar sonhos loucos, aventuras perigosas mas, mais que isso, 
me permite ver a mim no espelho como me sinto, me entendo, me permito, ser. "


Medo

Cresci com medo. Medo de ser,estar,

"Ninguém nasce mulher, torna-se...."- reflexões sobre feminismo, transgêneros e radicalismos (parte 3 - final)

Minha intenção, ao produzir os textos para esta coluna, é conversar sobre possibilidades de existir que provavelmente sejam novas ou inusitadas para a maior parte das pessoas. Percebo que, de vez em quando, acabo resvalando em fronteiras nas quais os que estão imersos em dúvidas se defrontam com os que arrogam certezas e, para ambas as partes, é muito difícil explorar e discutir o lugar que ocupam e o lugar do outro no mundo. Este post, sendo continuidade dos textos "Ninguém nasce mulher, torna-se...."- reflexões sobre feminismo, transgêneros e radicalismos (parte 1 e parte 2), pode ser mais esclarecedor se os dois primeiros forem lidos antes deste.
Para compor meus artigos, trago questões e histórias de outras pessoas que, acredito, de alguma forma ilustrem o que é viver uma transição. Meu objetivo é compor um mosaico que permita a quem está em um dos lados dessa fronteira, enxergar possibilidades de ação e mobilidade, seja emocional, física, intelectual e, ao mesmo tempo, c…

"Ninguém nasce mulher, torna-se...."- reflexões (parte 2)

Este post é continuação do texto "Ninguém nasce mulher, torna-se...."- reflexões sobre feminismo, transgêneros e radicalismos (parte 1)

Para construí-lo, contei com a ajuda da Maria Antonieta, do BCC, da publicação de Leopoldo Costa, que indicou o texto publicado em "Nosso Século", e da colaboração de Thais Plaza, educadora na área da sexualidade humana, que apresentou trabalho acadêmico (assim que houver um link disponível, publico aqui) no qual traça estuda o perfil da mulher brasileira a partir de seus antecedentes coloniais, ou seja, das mulheres indígenas sequestradas para servir a um senhor, das mulheres negras sujeitas aos mandos da escravidão e as mulheres brancas, senhoras que pouco podiam além dos limites dos domínios de seu senhor (fosse esposo, pai ou patrão), e sua influência na construção do feminino contemporâneo.


Pois bem, pensando em como a mulher se constituiu (e ainda se constitui em nossa sociedade), retrocedo no tempo, antes de Beauvoir estabel…

"Ninguém nasce mulher, torna-se...."- reflexões sobre feminismo, transgêneros e radicalismos (parte 1)

Durante muito tempo minha atenção ficou presa à conjectura de que eu precisaria mudar, moldar, construir em mim algo que me tornasse uma “pessoa possível, viável”. Ao descobrir que o que precisava ser mudado era o modo como eu me via e entendia, e aceitar essa forma de ser, permitiu aproximar-me de como se dá a construção do feminino, que acontece de forma diversa da construção do masculino. Isso levou-me a rever o conceito elaborado por Simone de Beauvoir, “Não se nasce mulher, torna-se uma mulher".


Presente na obra "O segundo sexo", a feminista francesa defende que isso se dá pela experiência familiar, na qual a menina constata o prestígio do pai e percebe que o mundo pertence aos homens. Enquanto o menino apreende sua superioridade através da rivalidade, a menina espera dele (pai/masculino), uma valorização e cita também que “...a mãe, por comodidade, hostilidade ou sadismo, descarrega na filha boa parte das suas funções e a criança é precocemente integrada no univers…

“Quem é gay afeminado enfrenta mais obstáculos do que o esperado”, por Rafael dos Anjos*

O preconceito junto aos próprios pares merece uma atenção especial. Reproduzimos aqui o texto de Rafael dos Anjos, acerca dos gays afeminados e suas dificuldades dentro do próprio gueto.
"Quem é gay sabe a dificuldade de sê-lo, mas quem é um gay afeminado (ou molinho como dizem), assim como eu, enfrenta mais obstáculos que o esperado. Além das provocações na rua, temos de lidar com o preconceito dentro da comunidade LGBT+ e para muitos, dentro também do ambiente de trabalho. Apesar do senso comum acreditar que a homofobia (leia-se aqui não apenas agressão física ou verbal), vem diminuído na sociedade, na prática não é bem assim. Primeiro que as profissões de “viado” ainda são as mesmas no imaginário popular: cabeleireiro, maquiador, esteticista ou qualquer outra atividade que, aos olhos dessa sociedade heteronormativa, pareça feminino demais pro homem macho, mas que nas mãos de um homem “feminino” seria melhor executada. Um mix de homofobia, machismo e sexismo. Em minha timeline do …

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